Comprei uma câmera fotográfica. Segundo o vendedor da loja, uma das funções da câmera é localizar e fotografar sorrisos automaticamente.
Testei em tudo que eu pude, pessoas pelas ruas, fotografias, parentes, amigos, filmagens, gifs, até mesmo em animais mas, quando tentei tirar uma fotografia minha isso não deu certo. Mesmo ciente de que não havia alterado nada nas programações da máquina, verifiquei, queria ter certeza de que não estava enganada, e realmente não estava.
Com toda a paciência do mundo, reposicionei o aparelho e sorri, como faria normalmente, como todas as outras pessoas fizeram. Esperei pelo ruído de captura da imagem, nada aconteceu. Testei novamente, dessa vez, peguei uma foto qualquer, dessas revistas velhas que por algum motivo desconhecido guardei em casa, como se estivesse rindo da minha cara, a máquina disparou no exato momento em que coloquei a imagem na frente da lente.
Minha paciência começou a evaporar, e eu pensei "Porque, raios, isso funciona com uma imagem idiota de revista e não funciona comigo? Qual o problema desse troço?"
Cansada de brigar com 'aquilo', decidi que depois, com mais calma, eu tentaria outra vez, uma última vez, antes de arremessar a máquina pela janela do 25º andar do prédio, pena minha teimosia não ter me deixado esperar. Passei a tarde, e parte da noite mexendo e revirando aquele troço, já cansada, sem conseguir nenhum resultado positivo eu o joguei em um canto do quarto e observei como um simples amontoado de peças havia me tirado a paciência, como havia me feito perder o dia, a caixa e o manual de instruções, estavam jogados em cima da minha cama. Parecia tão simples desistir, então porque eu não fiz isso, duas horas antes de enlouquecer?
Normalmente sou uma pessoa lerda, mas, dessa vez, demorei mais tempo que o normal para perceber que o problema não era com o aparelho, e sim eu mesma, eu é que fui burra de não entender que a máquina era inteligente o bastante para detectar meu falso sorriso, minha falsa alegria, e se recusar a registrar a imagem, bem, eu não a culpo afinal, em seu lugar eu teria era descarregado de vez, com um sorriso tão falso quanto o que forjei, nunca mais voltaria a funcionar.
