quarta-feira, 25 de abril de 2012

Detectores de sorrisos.

Comprei uma câmera fotográfica. Segundo o vendedor da loja, uma das funções da câmera é localizar e fotografar sorrisos automaticamente.
Testei em tudo que eu pude, pessoas pelas ruas, fotografias, parentes, amigos, filmagens, gifs, até mesmo em animais mas, quando tentei tirar uma fotografia minha isso não deu certo. Mesmo ciente de que não havia alterado nada nas programações da máquina, verifiquei, queria ter certeza de que não estava enganada, e realmente não estava.
Com toda a paciência do mundo, reposicionei o aparelho e sorri, como faria normalmente, como todas as outras pessoas fizeram. Esperei pelo ruído de captura da imagem, nada aconteceu. Testei novamente, dessa vez, peguei uma foto qualquer, dessas revistas velhas que por algum motivo desconhecido guardei em casa, como se estivesse rindo da minha cara, a máquina disparou no exato momento em que coloquei a imagem na frente da lente. 
Minha paciência começou a evaporar, e eu pensei "Porque, raios, isso funciona com uma imagem idiota de revista e não funciona comigo? Qual o problema desse troço?" 
Cansada de brigar com 'aquilo', decidi que depois, com mais calma, eu tentaria outra vez, uma última vez, antes de arremessar a máquina pela janela do 25º andar do prédio, pena minha teimosia não ter me deixado esperar. Passei a tarde, e parte da noite mexendo e revirando aquele troço, já cansada, sem conseguir nenhum resultado positivo eu o joguei em um canto do quarto e observei como um simples amontoado de peças havia me tirado a paciência, como havia me feito perder o dia, a caixa e o manual de instruções, estavam jogados em cima da minha cama. Parecia tão simples desistir, então porque eu não fiz isso, duas horas antes de enlouquecer? 
Normalmente sou uma pessoa lerda, mas, dessa vez, demorei mais tempo que o normal para perceber que o problema não era com o aparelho, e sim eu mesma, eu é que fui burra de não entender que a máquina era inteligente o bastante para detectar meu falso sorriso, minha falsa alegria, e se recusar a registrar a imagem, bem, eu não a culpo afinal, em seu lugar eu teria era descarregado de vez, com um sorriso tão falso quanto o que forjei, nunca mais voltaria a funcionar.

Thaise Catedral 25/04/2012 20:55

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Poema 355º
Eu vaguei pela escuridão toda a vida
De olhos vendados, guiada pelo orgulho
De minha partida, até este exato momento
Eu me recusei a olhar para trás.


Mesmo tropeçando, fraquejando, sem condições de lutar
Eu me forcei a não desistir, lutar até o fim
Ainda que o ar me faltasse, que meus olhos se fechassem
Minha vontade de prosseguir continuou e continua intacta.


Em minha jornada, enfrentei violentas tempestades
Lutei contra fantasmas, demônios e muitas quimeras
Enquanto meu coração pulsava descontrolado no peito
Enquanto meu sangue escorria pelas vestes cor da noite.


Hoje, aqui onde me encontro, eu me sinto em paz
Sei que meu caminho já percorri, este já chegou ao final
Não há mais guerras a lutar, não há mais dor.
Os dias de escuridão se foram, para sempre.


Para este lugar, hoje, eu volto, e cubro minhas asas cansadas
E fecho meus olhos estrelados, sentindo apenas alivio
Atrás de mim, fecham-se as pesadas portas da Catedral
(Aquela, que um dia nos benzeu)
E olhando por suas janelas eu sorrio, apenas esperando ele voltar.
THAISE CATEDRAL 19/02/2012 14h47min

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Olavo Bilac

“Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha. 
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha… 
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha 
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha. 
Hoje segues de novo… 
Na partida Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.
E eu, solitário, volto a face, e tremo, 
Vendo o teu vulto que desaparece 
Na extrema curva do caminho extremo."

domingo, 15 de janeiro de 2012

Poema 354º
Eu sinto o vento frio na minha pele
A chuva que escorre pelo meu rosto
Sinto a noite que me chama
Para sua alcatéia de caídos.


Enquanto eu corro, para a escuridão
E meu coração dispara, se inflama gritando por paz.
Ouvindo o grito de dor dos outros como eu, lobos caídos
Eu sinto o fim se aproximar silenciosamente.


Só agora eu sei o quão distante estou de você
O quanto me afastei, sem poder controlar meus sentidos
Até me perder, gritando por ajuda, sem ser ouvida.
Tão longe de tudo, perdida e sozinha na escuridão.


Eu atravesso agora o meu caminho torto, perdi você
Correndo nessa estrada, sem alcançar o horizonte, o fim
Fugindo de mim, me perdendo mais e mais, perdendo você
Tropeçando nos meus próprios passos, sempre e sempre.


Caindo cada vez mais rápido, por tanto tempo...
Só querendo acordar, querendo sair dessa escuridão
Fugindo do pesadelo em que me encontro
Enquanto a noite grita o meu nome.


Sentindo minhas asas falharem, minha alma fugir
Eu me pergunto "Porquê?" Sem ter para onde ir
Por tantas vezes eu só me perguntei "Porquê?"
E agora, só agora, na hora do fim, eu consigo entender.
THAISE CATEDRAL 11/01/2012 01h07min
Poema 353º
Inspira, expira, de novo e sempre
Controlando os meus poucos (e raros), minutos de sanidade
Antes dos meus olhos se quebrarem,
Parando o tempo diante de mim.


Esperando o fim que se aproxima
Enquanto eu me embriago do seu veneno
Caindo, sozinha, acabando com tudo isso
O nosso tempo se foi. Há muito tempo.


Com espinhos ferindo a minha realidade
Como um pesadelo você me cega, ainda me cega
E eu apenas controlo a mionha alma, protejo-a da explosão
Sussurrando: "Deixe isso partir, deixe ir embora, vai passar.".


Como veneno você me mata
Mas eu deixo ir embora, e tudo isso vai passar
Eu me entorpeço com o nosso veneno
A minha cura é deixar esse sangue cair.


Isso não é o fim, eu sei, mas deixo ir.
E o fogo na minha pele vai se apagar
Basta deixar em paz, deixo partir, deixo fluir
Mesmo me matando, me ferindo, me machucando.


De qualquer modo, te deixo partir
Não me importa mais, pra longe
Como um fogo me queimando
Como uma lança me ferindo.


Como veneno, você pode me matar, deixo partir
Como fogo, eu deixo partir, me queimando
Transformando em cinzas, só deixo partir
Não importa, como um veneno, partindo, partindo.


O destino não vai mudar isso, não há como
O fogo, o veneno, a espada derramando meu sangue
Para sempre, meu coração mudando, para sempre
Simplesmente, não importa, eu não sinto, deixo partir.


Virando cinzas e desaparecendo com o vento
Renascendo, eu sinto que acabou, nosso veneno
Não me fere mais, não sangro mais, não queimo
Simplesmente porque não me importo, já deixei partir.
THAISE CATEDRAL 11/01/2012 00h40min

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

É tarde...

352º
É tarde, as luzes se apagam
O barulho ao redor diminui
Os corpos pelos bares vão sumindo.
Mas ele permanece no mesmo lugar.
É tarde, o sol se pões atrás dos arvoredos
O céu já muda de cor
Logo a lua estará alta,
Iluminando toda a cidade.

É tarde, ele anda de um lado para o outro
Sem rumo, sem saber o que fazer
Sem saber para onde ir, perdido.
Agora nada mais lhe importa.

Ziguezagueando por aí, sem lar
Sem mais nenhuma esperança
Ele pensa em desistir
Perdeu toda a sua fé na vida, perdeu a sua razão de viver.

O relógio da torre da igreja já marca sete horas
Ele não tem para onde ir
É tarde, e ele já sabe disso,
Mas não há o que fazer.

Lembra-se das últimas palavras que ouviu
Senta e chora, sente a dor da perda
seu peito parece ser estillhaçado
Se desespera em seu silêncio, sozinho.

Perde o ar, o coração dispara
A cor de seu rosto some.
Vê o corpo descer ao chão,
Lentamente a terra o cobrir, por completo.

Então chora, chora em silêncio.
Um silêncnio profundo, doído, infinito
Chora como nunca antes em toda sua via
Ela se foi, para sempre, se foi...

Nunca mais verá seu sorriso
Seus olhos brilhantes a brincar no espelho
Fazendo caretas, sorrindo
Exalando alegria, axalando vida.

Ela se foi, sua pequena está morta
O mundo dele era ela
E agora, ela se foi, ele está só.
Seu jeito doce ficará apenas na lembrança

É tarde, tarde de mais, o mundo dele acabou
A cortina se fechou, não há mais show,
Não há mais nada a er feito
Tarde de mais para isso, tarde de mais para qualquer coisa.
THAISE CATEDRAL 26/11/2011 09h09min

sábado, 29 de outubro de 2011

Poema 351º
Sinto que estou caindo rapidamente
Ao mesmo tempo, sinto meu corpo ser puxado
Para cima, com a mesma força
Estou confusa, com medo.


Quero respostas que não poderei ter
Sinto asas pesarem em minhas costas
Vejo imagens que não sei se são reais
Sem precisar fechar os olhos, acordada.


O tempo todo me assombrando
Me perseguindo dia e noite
Só quero que isso acabe logo
Não quero mais ter que me esconder.


Não tenho mais forças
Não tenho mais vontade de continuar
Se tiver chegado a hora
Deixem-me partir,não impeçam.


Se não tiver chegado a hora
Partirei assim mesmo, para sempre
Não me peçam para ficar
Não me privem de meu caminho.


A minha família, meus amigos
Peço humilde desculpas
Se desisti, não foi por covardia
Foi por não ter mais condições de lutar.


Mas quero que todos saibam
Eu tentei, tentei o mais que pude
Até chegar aqui, de joelhos
E sem mais forças até para respirar.
THAISE CATEDRAL 21/10/2011 00h09min
Poema 350º
Já não consigo me encontrar
No meio dessa multidão
Sinto que me perdi
Em algum lugar dentro de mim.


Em meio ao meu caos psicológico
Minha guerra interna,
A minha tempestade
Tudo que me assombra.


E tento nadar contra a correnteza
Que me puxa para o centro do nada
Que tenta me afogar nesse mar
Roubando o resto das minhas forças.


Esse mar de sonhos, decepções
Aventuras e fracassos
Meus medos, antes tão bem domados
Enjaulados e escondidos.


Isso foi antes.Antes do meu mundo desmoronar
Antes do fim de tudo
Tudo ruiu, como um castelo de areia
E desapareceu, nas águas da tempestade.


Mas chegou a hora de me reerguer, recomeçar
Como se nada tivesse acontecido
E deixar para trás todas as pedras
Todas as decepções e medos.


Vou me reencontrar
E deixar essa tempestade ir,
Somente ir e não voltar
Nunca, nunca mais.
THAISE CATEDRAL 19/10/2011 01h44min





Poema 349º
Doí tanto nunca mais te ter
E tudo o que eu faço
Parece só aumentar essa dor
Fazendo as lágrimas caírem sem controle.


Não consigo controlar esse sentimento
E todas as músicas e palavras
Que me lembram você
Todas elas, ficaram marcadas aqui em mim.


E todas as vezes que você disse
Tudo ficaria bem, você fazia tudo sempre dar certo
Todas as vezes que você me fez acreditar
Que tudo seria pra sempre...


E agora há apenas o silêncio
Isso é tão errado, tão triste
Não deveria terminar assim, não desse jeito
Queria apenas poder te ver.


Só mais uma vez, ouvir sua voz
Ouvir seu riso, como antes
Como se nada tivesse mudado
Só mais uma vez para sempre.
THAISE CATEDRAL 23h39min



Poema 348º
Eu tento esquecer
Mas ainda sinto suas asas e as minhas
Todo o tempo, como se ainda estivessem aqui
E isso me fere, como uma espada em chamas.


Eu finjo que estou bem
Quando por dentro me despedaço
Dia após dia, forçando um sorriso amarelo
Atuando para que ninguém perceba a dor.


As lágrimas enchem meus olhos
E transbordam a minha tristeza
toda a minha silenciosa dor fluindo
Escorrendo pelo meu rosto.


E quando vou dormir
Sinto sua mão segurar a mim
Sinto você respirar ao meu lado
Não consigo aceitar isso...


Não quero acreditar que você se foi
Que dessa vez é para sempre
Nem tudo pôde ser eterno
você não vai voltar, não vai.


Isso me faz chorar, me sentir impotente
Por não conseguir fazer essa dor passar
E doí tanto na alma, no peito
Só queria que isso acabasse logo.
THAISE CATEDRAL 18/10/2011 23h20min